Ler, escrever e calcular são mistérios para grande parte dos alunos do ensino fundamental brasileiro
Não é novidade alguma que o ensino no Brasil caminha muito mal e aparentemente não melhora nada. Sim, mais pessoas estão tendo acesso ao Ensino Superior, mas isto é graças à proliferação das universidades particulares, o que não garante que o ensino seja realmente bom (claro, há particulares que são excelentes, então não podemos generalizar). Mas e quanto à base da educação? O Ensino Fundamental melhorou? Através de dados e certa experiência cotidiana em sala de aula, é fácil dizer que não.
Habilidades básicas, como ler, escrever e fazer cálculos são verdadeiros bichos de sete cabeças para os estudantes do Fundamental. Muitos passam pela primeira fase deste nível (do 1º ao 5º ano ou 1ª à 4ª série) sem ao menos saber escrever um texto razoável. Levando em conta que por ler e escrever entendem-se capacidades de utilizar a língua escrita da melhor forma para suas finalidades, muitos falham em adquirir este conhecimento. Vale dizer que isto não se encaixa apenas no ensino público, as escolas particulares também sofrem, porém talvez com menos intensidade, visto que os alunos possuem condições de estudo superiores (digo em relação à infraestrutura, visto que em muitas escolas públicas as salas não possuem nem cadeiras razoáveis, o que ajudaria bastante).
Muitas vezes me deparo, durante minhas aulas de redação ou quando as estou corrigindo, com textos sem coerência ou coesão alguma, com ideias desconexas ou informações extremamente erradas que o aluno parece ter escrito apenas para fazer o texto ficar “mais bonito”, ou simplesmente grafias absurdas de algumas palavras. Os exemplos que tenho são realmente terríveis, e vale dizer que trabalho em uma escola particular, com alunos de 8º e 9º ano. Posso citar o caso em que um aluno disse que Sócrates escreveu tal coisa, ou quando me deparei com o termo “realiti shol”, as inúmeras vezes que li “derrepente” ou “encima” (no sentido de lugar), os textos “muralhas” que não possuem divisão de parágrafos, ou até quando um aluno afirmou que a Terceira Guerra Mundial seria na Amazônia (graças à enorme bacia hidrográfica, vale lembrar).
Porém, o ensino no Brasil é muito heterogêneo. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a qualidade é superior ao Norte e Nordeste. Será que o investimento governamental em educação é maior nessas regiões? Creio que não, mas o que está acontecendo? Abaixo, podemos ver os dados da Prova ABC, aplicada a alunos no fim do 3º ano. As porcentagens são dos alunos que NÃO alcançaram o nível esperado nos quesitos de leitura, escrita e matemática, respectivamente.
Leitura
Escrita
Matemática
Podemos pensar: por que isso ocorre? De quem é a culpa? Do governo? Da escola e professores? Dos próprios alunos? Creio que um pouco de todos.
É lógico que o governo tem que investir mais em educação: na remuneração dos professores e qualidade das escolas. Ensinar é uma alegria, um grande prazer, mas professor também merece ter uma vida digna, então é necessário dar suporte ao trabalho. Mas o sucesso também depende do estímulo dos pais, da ajuda destes, pois só assim as crianças terão vontade de estudar, ou pelo menos irão perceber a importância disto, visto que existem alunos que nem ao menos sabem o porquê de estarem na escola!
Por fim, quero fazer uma colocação a mais, sobre o nosso modelo de ensino. No Brasil, propaga-se nas escolas um pensamento por demais tecnicista, ou seja, as escolas apenas ensinam os alunos para que estes um dia sejam empregados em algo. O Ensino Médio, por exemplo, é um período escolar no qual você passará três anos estudando apenas para fazer vestibular. A escola não parece se interessar se você aprendeu ou não, até porque depois do vestibular a maior parte dos estudantes esquece tudo o que estudou e começa a levar em consideração apenas o que estuda na universidade. Desta forma, todo o Ensino Fundamental e o Médio é apenas uma preparação para que, no futuro, você seja empregado em algum lugar. Isto é da lógica capitalista, tudo bem, mas o problema é que isso influencia muito no ensino! Ao invés de levar os alunos para um passeio educativo ou alguma atividade interessante que vai gerar interesse , a direção manda o professor ficar em sala passando conteúdo.
Agora, precisa-se trabalhar muito para que a situação atual do ensino no nosso país mude. Não pode continuar como está, isto é lógico, mas como vamos mudar? Se cada um fizer sua parte, estimular o estudo nas crianças, já é um início, visto que não se pode mudar nada sozinho. O Brasil é imenso, mas a heterogeneidade da educação deve acabar. Educação é um direito de todos e é provavelmente a melhor forma de mudar o país, de formar cidadãos críticos que procurem melhorar o país cada vez mais.
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